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O que é angina? Entenda a dor no peito causada por problemas no coração

A dor no peito é um dos sintomas que mais despertam preocupação quando o assunto é saúde do coração. Em muitos casos, esse desconforto está relacionado à angina, um sinal de que o músculo cardíaco não está recebendo oxigênio na quantidade necessária. Essa redução do fluxo sanguíneo geralmente ocorre quando as artérias coronárias estão estreitadas.

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Nem toda dor no coração significa um evento agudo, mas ignorar os sintomas também não é seguro. A angina funciona como um alerta do organismo, indicando que existe um desequilíbrio entre a demanda e o suprimento de oxigênio.

Entender o que é angina no coração ajuda a reconhecer riscos, diferenciar essa condição do infarto e buscar avaliação médica no momento adequado. Neste artigo, você vai conhecer os tipos, os sinais mais comuns, os exames que auxiliam no diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis.

O que é angina?

A angina corresponde à manifestação de dor ou pressão no tórax associada à diminuição temporária do fluxo de sangue nas artérias coronárias. Quando essa irrigação se torna insuficiente, o músculo cardíaco passa a receber menos oxigênio do que precisa para funcionar adequadamente.

Também conhecida como angina pectoris, ela não é uma doença isolada, mas um sinal de que existe comprometimento na circulação do coração. O desconforto costuma surgir em situações que aumentam a demanda de oxigênio, como:

  • Esforço físico;
  • Estresse emocional;
  • Exposição ao frio intenso;
  • Refeições volumosas;
  • Episódios de aumento da pressão arterial.

A principal causa está associada à doença arterial coronariana, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias. Quando o fluxo sanguíneo se torna limitado, pode surgir sensação de pressão, aperto ou peso no tórax.

A importância desse sintoma também aparece nos dados epidemiológicos. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que agrupou as causas de óbito no Brasil entre 2004 e 2014, a angina integrou o segundo grupo de condições cardiovasculares que mais contribuíram para mortes no período, somando 1.069.653 registros.

Esses números reforçam que entender o que é angina no coração não é apenas esclarecer um conceito. É reconhecer um sinal de alerta que merece avaliação médica adequada e acompanhamento contínuo.

Tipos de angina

A forma como a angina se apresenta varia conforme o mecanismo envolvido e o comportamento da obstrução nas artérias coronárias. Entre as principais classificações estão:

  • Angina estável: caracteriza-se por episódios previsíveis, geralmente desencadeados por esforço físico ou situações de estresse. O desconforto tende a cessar com repouso ou após uso da medicação prescrita;
  • Angina instável: manifesta-se de maneira inesperada, inclusive em repouso ou com atividade mínima. Os sintomas costumam ser mais intensos ou prolongados e demandam avaliação médica imediata;
  • Angina variante (ou de Prinzmetal): decorre de espasmo temporário das artérias coronárias, mesmo sem obstrução fixa significativa. Os episódios são mais frequentes em repouso, especialmente nas primeiras horas do dia;
  • Angina microvascular: envolve alterações na circulação das pequenas artérias do coração, sem necessariamente haver bloqueio evidente nas coronárias principais. O desconforto pode ser mais duradouro e menos responsivo aos medicamentos habituais;

Angina refratária: refere-se à persistência da dor apesar do tratamento clínico otimizado e, em alguns casos, mesmo após procedimentos de revascularização. Geralmente está associada a impacto significativo na qualidade de vida e exige acompanhamento especializado.

Sintomas da angina

A dor no peito é o sinal mais conhecido, mas o desconforto pode variar de intensidade e localização. Em geral, os sintomas surgem quando o coração precisa de mais oxigênio do que está conseguindo receber.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Pressão ou aperto no peito: sensação de peso ou compressão atrás do esterno;
  • Dor irradiada: desconforto que pode atingir braço esquerdo, ombros, pescoço, mandíbula ou costas;
  • Falta de ar: dificuldade respiratória associada ao esforço;
  • Sudorese fria: transpiração inesperada durante o episódio;
  • Náusea ou tontura: sensação de mal-estar que pode acompanhar a dor torácica.

Além dos sintomas típicos, existem manifestações consideradas atípicas, mais frequentes em mulheres, idosos e pessoas com diabetes. Nesses casos, o quadro pode incluir:

  • Cansaço incomum: fadiga desproporcional ao esforço realizado;
  • Desconforto abdominal: sensação semelhante à indigestão;
  • Dor isolada nas costas ou mandíbula: sem dor central evidente no tórax.

Angina pode virar infarto?

Sim, em alguns casos a angina pode evoluir para infarto, especialmente quando ocorre agravamento súbito da obstrução nas artérias coronárias. A diferença entre os dois quadros está na duração da interrupção do fluxo sanguíneo e na presença de dano permanente ao músculo cardíaco.

A tabela a seguir resume as principais diferenças entre angina e infarto.

Como é feito o diagnóstico da angina?

O diagnóstico começa com avaliação clínica detalhada, incluindo descrição da dor no peito, fatores desencadeantes e histórico de risco cardiovascular. A partir dessa análise, o médico pode solicitar exames que ajudam a confirmar a presença de isquemia e identificar possíveis obstruções nas artérias coronárias.

Entre os principais exames utilizados estão:

  • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração e pode identificar sinais de isquemia ou alterações durante episódios de dor;
  • Teste ergométrico: avalia a resposta cardíaca ao esforço físico, ajudando a identificar sintomas e alterações elétricas induzidas pelo exercício;
  • Ecocardiograma: utiliza ultrassom para analisar estrutura e função do coração, podendo mostrar alterações no movimento das paredes cardíacas;
  • Cintilografia miocárdica: exame de imagem que avalia a perfusão do músculo cardíaco em repouso e sob estresse;
  • Angiotomografia coronariana: permite visualizar as artérias coronárias e identificar estreitamentos de forma não invasiva;
  • Cateterismo cardíaco: considerado padrão-ouro para avaliar obstruções, permite visualizar diretamente as artérias coronárias e, quando necessário, realizar intervenção no mesmo procedimento.

Qual é o tratamento para angina?

O tratamento para angina busca controlar os episódios de dor, preservar a função cardíaca e reduzir a probabilidade de eventos cardiovasculares mais graves. A definição da conduta depende do tipo de apresentação, da intensidade dos sintomas e do perfil clínico de cada paciente.

De modo geral, a abordagem combina medicamentos, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, procedimentos intervencionistas.

Tratamento medicamentoso

A prescrição medicamentosa tem papel central no controle da dor no peito e na proteção do músculo cardíaco. A escolha das drogas considera sintomas, fatores de risco e presença de outras condições associadas.

Entre as opções terapêuticas utilizadas estão:

  • Nitratos: promovem relaxamento dos vasos sanguíneos e facilitam a circulação nas coronárias, contribuindo para aliviar crises de dor;
  • Betabloqueadores: atuam na redução da frequência cardíaca e da pressão arterial, diminuindo a sobrecarga sobre o coração;
  • Bloqueadores dos canais de cálcio: auxiliam no controle de espasmos coronarianos e na diminuição do esforço cardíaco;
  • Antiplaquetários: reduzem a formação de coágulos que podem agravar obstruções já existentes;
  • Estatinas: ajudam no controle do colesterol e na estabilização das placas presentes nas artérias.

Mudanças no estilo de vida

A adoção de hábitos saudáveis faz parte do tratamento e também da prevenção de novos episódios. As orientações mais frequentes envolvem:

  • Cessar o tabagismo: reduz significativamente o risco cardiovascular;
  • Manter alimentação equilibrada: com menor consumo de gorduras saturadas e excesso de sal;
  • Praticar atividade física regular: conforme orientação médica;
  • Controlar pressão arterial, colesterol e glicemia: fatores diretamente relacionados à progressão da doença coronariana;
  • Gerenciar o estresse: estratégias de relaxamento e organização da rotina podem contribuir para reduzir gatilhos.

Procedimentos intervencionistas

Quando os sintomas persistem apesar do tratamento clínico ou quando há obstruções significativas nas artérias coronárias, pode ser necessária intervenção.

Nesse contexto, podem ser considerados:

  • Angioplastia com implante de stent: procedimento minimamente invasivo que restabelece o fluxo sanguíneo na artéria obstruída;
  • Cirurgia de revascularização miocárdica: indicada em casos mais complexos, quando múltiplos vasos estão comprometidos.

A decisão pelo procedimento depende da avaliação individual, dos exames realizados e do risco cardiovascular global.

Saiba como reconhecer os sinais do corpo e prevenir doenças cardíacas

Reconhecer sintomas e buscar orientação adequada são passos importantes para preservar a saúde cardiovascular ao longo da vida.

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