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Sintomas de parada cardíaca: conheça os principais e saiba o que fazer

Os sintomas de parada cardíaca nem sempre são conhecidos por quem não tem familiaridade com temas de saúde. Ainda assim, é útil entender como eles se manifestam e o que fazer em emergências, em ambientes domésticos ou públicos, visto que as primeiras reações fazem diferença no atendimento.

Apesar de o termo “ataque cardíaco” ser bastante utilizado de forma geral, ele nem sempre descreve corretamente o que está acontecendo. A parada cardíaca tem causas e características próprias e pode acontecer mesmo em pessoas sem histórico conhecido de doenças do coração. Com a informação correta, fica mais fácil identificar os sinais para buscar ajuda com rapidez.

Hoje, vamos explicar o que é a parada cardíaca, como reconhecer os sintomas, quais sinais podem surgir antes do evento e o que deve ser feito para prevenção e tratamento. Acompanhe a leitura para aprender mais sobre o tema!

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O que é uma parada cardíaca?

A parada cardíaca é uma emergência médica grave em que o coração interrompe abruptamente sua função de bombear sangue, impedindo que o oxigênio chegue ao cérebro e a outros órgãos vitais. O processo costuma ser resultado de uma falha elétrica no coração, que leva a ritmos anormais, como a fibrilação ventricular, uma arritmia desorganizada que impede a contração adequada. 

Ao contrário de outras condições que se desenvolvem aos poucos, um ataque cardíaco acontece de forma súbita e inesperada. A partir do momento em que o coração para, o tempo é um fator determinante: sem atendimento, a perda de consciência ocorre em segundos e o risco de morte aumenta a cada minuto.

As causas mais comuns para uma parada cardíaca são:

  • Infarto agudo do miocárdio;
  • Insuficiência cardíaca avançada;
  • Cardiomiopatias;
  • Doenças valvares;
  • Distúrbios eletrolíticos (como alterações de potássio e magnésio);
  • Uso de certos medicamentos (antiarrítmicos, antidepressivos tricíclicos, antipsicóticos e diuréticos em altas doses);
  • Causas genéticas ou congênitas (especialmente em pessoas jovens).

Alguns grupos apresentam maior risco, como pacientes com diagnóstico de insuficiência cardíaca, pessoas que já sofreram um infarto ou que possuem histórico de arritmias cardíacas complexas. Nesses casos, o médico pode recomendar o uso de dispositivos como o cardiodesfibrilador implantável (CDI), que detecta e corrige automaticamente arritmias potencialmente fatais.

Mesmo em pacientes sem histórico cardíaco conhecido, é possível que uma parada cardiorrespiratória ocorra devido a fatores agudos, como traumas, intoxicações ou eventos isquêmicos súbitos. 

Por isso, é importante que sinais e sintomas não sejam ignorados, e que a população tenha acesso a informações que ajudem a identificar o quadro e acionar rapidamente o socorro especializado.

Veja também:  Quais são as diferenças entre CDI, marcapasso e ressincronizador cardíaco?

Sintomas de parada cardíaca: o que observar?

Em muitos casos, a parada cardíaca acontece de forma súbita, sem sinais prévios evidentes. No entanto, existem manifestações clínicas que indicam que algo está errado. Estar atento a esses sinais ajuda a reconhecer rapidamente a situação e agir com mais segurança até a chegada do atendimento de emergência.

Veja agora quais são os principais sintomas de parada cardíaca e como diferenciá-los de outras condições médicas.

Perda repentina da consciência

A perda abrupta da consciência é um dos sinais mais característicos de uma parada cardíaca. A pessoa desmaia sem aviso prévio, mesmo estando em repouso, e não responde a chamados, toques ou estímulos dolorosos

Isso acontece porque, com a interrupção do bombeamento do coração, o cérebro deixa de receber oxigênio e nutrientes quase que imediatamente. Esse quadro exige atenção máxima, pois a perda de consciência associada à ausência de pulso e respiração é indicativo de parada cardiorrespiratória e requer ação emergencial imediata.

Ausência de pulso e respiração

Este é um dos sinais mais importantes a ser verificado por quem presencia a situação. A vítima não apresenta pulso detectável, o que significa que o sangue parou de circular. Além disso, a respiração cessa por completo ou fica extremamente irregular, sendo difícil perceber se há esforço respiratório real. 

Muitas vezes, quem está por perto pode achar que a vítima ainda respira, mas se trata de movimentos ineficazes ou reflexos, que não garantem a oxigenação adequada. Nesses casos, é preciso iniciar imediatamente a reanimação cardiopulmonar (RCP) até a chegada do atendimento médico.

Respiração agônica

A chamada respiração agônica é um padrão respiratório anormal que pode surgir nos primeiros minutos após o início da parada cardíaca. É caracterizada por suspiros curtos, irregulares, barulhentos e espaçados, que lembram um engasgo ou tentativa falha de puxar ar. 

Embora pareça que a pessoa ainda esteja respirando, essa atividade não é eficaz para oxigenar o corpo. Trata-se de um sinal crítico, e a vítima ainda está em parada cardíaca. A conduta correta é iniciar a RCP imediatamente.

Palidez ou coloração azulada

Sem o bombeamento do coração, a circulação do sangue é interrompida, levando à redução drástica da oxigenação dos tecidos. Como consequência, a pele da vítima pode apresentar uma coloração muito pálida ou azulada (cianótica), especialmente nos lábios, unhas, ponta dos dedos e rosto.

Esse é um sinal visível de que o sangue não está transportando oxigênio de forma adequada, e é um forte indicativo de colapso circulatório. A observação deste sinal deve motivar ação imediata.

Ausência de movimentos

Durante a parada cardíaca, o corpo entra em colapso e cessam todos os movimentos voluntários e reações a estímulos. A pessoa permanece completamente imóvel, mesmo que seja sacudida, chamada ou estimulada de outras formas. 

Esse quadro de inércia corporal total reflete o desligamento súbito do sistema nervoso central por falta de oxigenação. É um dos sinais mais evidentes e alarmantes de que o coração parou de funcionar e, portanto, não deve ser ignorado.

Sinais de alerta que podem acontecer antes da parada cardíaca

Embora muitas vezes a parada cardíaca ocorra de forma súbita, algumas pessoas apresentam sinais prévios que funcionam como um aviso do organismo. Esses sintomas podem surgir minutos, horas ou até dias antes do evento, e reconhecê-los é uma oportunidade de buscar ajuda médica antes que o quadro se torne crítico.

É importante lembrar que esses sinais nem sempre são intensos ou específicos. Muitas vezes, podem ser confundidos com sintomas de estresse, indisposição ou outras condições comuns do dia a dia. Por isso, em casos de dúvida, a avaliação médica é sempre recomendada.

Entre os sinais de alerta mais comuns, destacam-se:

  • Dor ou pressão no peito, especialmente se persistente ou recorrente;
  • Sensação de falta de ar, mesmo em repouso ou durante atividades leves;
  • Batimentos cardíacos irregulares ou acelerados;
  • Tontura, sensação de desmaio ou episódios de perda de consciência;
  • Cansaço excessivo e sem explicação aparente;
  • Sudorese fria e repentina, acompanhada ou não de náuseas;
  • Desconforto em outras áreas do corpo, como braços, pescoço, mandíbula ou costas.

Esses sinais podem indicar problemas no funcionamento do coração, como arritmias, isquemia cardíaca ou insuficiência cardíaca descompensada — todas as condições que aumentam o risco de uma parada cardíaca.

Se uma pessoa próxima apresentar esses sintomas, principalmente quando são intensos ou de início súbito, é recomendado buscar atendimento médico imediato. E caso ocorra uma perda de consciência acompanhada da ausência de respiração, a recomendação é:

  1. Ligar imediatamente para o serviço de emergência (192);
  2. Iniciar a reanimação cardiopulmonar (RCP), se houver alguém habilitado no local;
  3. Utilizar um desfibrilador externo automático (DEA), caso esteja disponível.

A atuação nos primeiros minutos é determinante para o desfecho da parada cardíaca. Quanto mais cedo forem iniciadas as manobras de socorro, maiores são as chances de sobrevivência sem sequelas neurológicas.

Como prevenir uma parada cardíaca?

A prevenção da parada cardíaca está diretamente relacionada ao cuidado com a saúde cardiovascular como um todo. Embora nem todos os casos possam ser evitados, é possível reduzir os riscos com hábitos saudáveis, acompanhamento médico e, quando indicado, o uso de tecnologias específicas.

O primeiro passo é o controle dos fatores de risco modificáveis, como:

Manter esses fatores sob controle diminui as chances de desenvolver doença arterial coronariana, arritmias e insuficiência cardíaca, condições frequentemente associadas ao que causa parada cardiorrespiratória.

O acompanhamento regular com um cardiologista é indispensável, especialmente para pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas, sintomas como palpitações ou falta de ar, ou diagnóstico prévio de alguma cardiopatia. 

Em pacientes com maior risco de arritmias graves ou insuficiência cardíaca avançada, o médico pode indicar o uso de dispositivos implantáveis:

  • Marcapasso: é recomendado quando o coração apresenta ritmos muito lentos ou falhas na condução elétrica.
  • CDI (cardiodesfibrilador implantável): tem a função de detectar e corrigir automaticamente arritmias potencialmente fatais, ajudando a prevenir episódios de parada cardíaca súbita.

Em alguns casos, além das intervenções médicas e dos dispositivos implantáveis, o médico também pode orientar um tratamento complementar para parada cardíaca, como reabilitação cardiovascular, mudanças no comportamento e acompanhamento multiprofissional, sempre baseado em evidências clínicas.

Também é importante seguir corretamente os tratamentos propostos, inclusive para condições associadas, como apneia do sono e distúrbios da tireoide, que podem interferir na função cardíaca. 

Por fim, manter um estilo de vida equilibrado, com alimentação saudável, prática regular de atividade física e atenção à saúde mental, é uma medida de proteção não só para o coração, mas para o bem-estar geral.

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